quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Lobão "atucanou"


Ontem cheguei em casa e fiquei zapeando os botões do controle remoto até que parei na MTV. Estava rolando, ao vivo, um debate sobre o Pré-Sal no programa comandado por Lobão. Pensei: ‘vou assistir, tô por fora desse assunto...’ Tomei conhecimento dos debatedores e até achei razoável: estava o presidente da UNE, Augusto chagas, o presidente da Federação Única dos Petroleiros, provavelmente ligado ao PT, uma jornalista sacana (nenhuma novidade) do Estadão, um chato-representante do Greenpeace no Brasil, um representante de juventude tucana e mais outros dois que não me lembro agora. Mas, se o que eu queria era me interar do assunto escolhi o programa errado.
Cheguei na “hora boa” como se diz. Lobão dirigiu-se diretamente ao presidente da UNE e lascou: “Augusto, qual é a posição da UNE sobre essa arbitrariedade do governo em não querer discutir o marco regulatório do Pré-sal, em não democratizar o debate, em não considerar o impacto ambiental...” e por aí foi. E não é a primeira vez o seu programa ataca a UNE, já vi em outros debates mediados pelo cantor. Pra todos os presentes foi dada a liberdade de falar o que bem quisessem, na hora em que quisessem. Augusto tentou iniciar sua intervenção falando sobre a importância do debate sobre matriz energética e seus desdobramentos para o desenvolvimento do país, já sabendo da intenção da pergunta de Lobão. Mas não deu, Lobão quase teve uma síncope, ficou histérico, acusou o presidente da UNE de não responder à pergunta, de desviar o foco. Mas a atração ficou mais mesmo por conta de sua performance alterada, do que o próprio motivo dela. Acho que por aquilo nem o jovem tucano esperava. Lobão, em diversos momentos no debate se mostrou servindo aqueles que querem ver ir por água abaixo o desenvolvimento soberano do país.
Lembrei do Lobão, da década de 80, sendo preso, por problemas com drogas, e, a juventude da época saindo em sua defesa. Pois é. Foi exorcizado na época pelo mesmo pensamento que hoje reza para o atraso do país, um pensamento que é o próprio atraso. Prefiro pensar que Lobão anda meio confuso, meio desatualizado, que não andou afastado só da mídia dominante. Quem sabe, pensa que o governo do país ainda está nas mãos daqueles que ele combatia com seu rock pesado na década de 80. Quem sabe. Ou quem sabe não será mais mesmo o Lobão? Podia ser o Tucanão.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Na Serra em vez da terra




Queria ter voltado a escrever aqui antes. Mas não pude, me faltou coragem. E eu que sempre me julguei tão corajosa. Quase está completando dois meses que perdi minha mãe. Não fui capaz de encontrar as palavras que poderiam dizer do estado da minha alma. Nem pretendo mais agora.
Minha mãe era uma mulher inteligente, culta e permanentemente curiosa das coisas do mundo, apesar de seu pouco estudo. Sempre leu muito. Até hoje, não li alguns livros que ela leu. Ela gostava de falar sobre política, sobre futebol, sobre tudo que acontecia no mundo. E tinha opiniões progressistas. Tinha lado. Era sensível às lutas do povo. Isso me enchia de orgulho.
Quando eu era criança rabiscava em meus cadernos alguns versos infantis e dava pra minha mãe ler. Eu ficava me sentindo importante por ela ler. E assim foi por toda a vida. A última coisa que dei pra ela ler foi um texto desse blog em que falo dela, da paixão dela pelo Inter.
Mesmo que não falasse, minha mãe era uma mulher cheia de amor. Hoje que ela não está mais aqui percebo isso. Tinha tanto orgulho de ter nascido brasileira. De ser gaúcha. De ser colorada. Do Olívio Dutra. Do Érico Veríssimo (deu o nome de Clarissa à minha irmã mais nova). De Falcão e Pelé. Das serras de Veranópolis – lugar que escolheu para que espalhássemos suas cinzas. De ser irmã. De ser filha. De ser avó do João Pedro. De ser mãe. Hoje sei disso.
No dia em que espalhamos suas cinzas, na serra de Veranópolis cortada pelo Rio das Antas, li esse poema de Florbela Espanca.

À morte

Morte, minha Senhora Dona Morte,
Tão bom que deve ser o teu abraço!
Lânguido e doce como um doce laço
E como uma raiz, sereno e forte.

Não há mal que não sare ou não conforte
Tua mão que nos guia passo a passo,
Em ti, dentro de ti, no teu regaço
Não há triste destino nem má sorte.

Dona Morte dos dedos de veludo,
Fecha-me os olhos que já viram tudo!
Prende-me as asas que voaram tanto!

Vim da Moirama, sou filha de rei,
Má fada me encantou e aqui fiquei
À tua espera... quebra-me o encanto!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Do Aurélio

Queria escrever sobre algumas coisas. Algumas coisas do dia-a-dia nos atingem com uma intensidade maior do que julgamos. Um amigo sempre me diz que "convivência é uma m...". Concordo em parte. Quem tem possibilidade de conviver todos os dias com pessoas ou situações, tende a enxergar mais cores nas coisas do mundo - mas isso é outro assunto.
Outro dia escrevi sobre "descer do bonde chamado Mundo". As pessoas que comentaram o post (aqui ou por email) me disseram que não se pode descer, que estar neste bonde é o que dá sentido à nossa pequena (será grande?) existência.
Fui ao dicionário. Não porque não soubesse ou mesmo intuísse sobre o que significa conviver, mas para tentar achar no abstrato algo que me ajudasse a entender o concreto (nem sei se tem algum sentido nisso que escrevi agora), enfim, vocês entenderam né?
Do Aurélio, convivência: 1. Ato ou efeito de conviver; convívio, companhia. 2. Trato constante, diário.
Trato constante, diário. Era isso! Diário, diário, diário... Constante, constante, constante...
Esse foi o click. Por quê? Acaso eu havia esquecido o trato, o constante e o diário? E de como isso precisava ser alimentado todos os dias? Pode ser. Mas, ao meu redor também esqueceram...
Difícil.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Envelheço na cidade

Amanhã é meu aniversário. Trinta e um anos. Não tenho motivos para ficar alegre, alguns para ficar triste. Sempre ficava feliz perto de chegar o dia do meu aniversário. Hoje não.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Saudade de mim

Quando eu era adolescente eu fazia isso. Escrevia sempre que algo me incomodava ou quando algo me empolgava. Não me perguntem o motivo de eu escrever hoje, ok? Talvez não seja nem por um motivo, nem por outro, talvez seja por vários motivos.
Senti saudade de mim há 16, 17 anos atrás. Tinha tanta expectativa das coisas. Sempre escrevia sobre elas. Eu já quis ser tantas coisas. Fico pensando se quando a gente é criança e diz "quando crescer vou ser isso, vou ser aquilo...", se naquelas pretensas escolhas não está o mais genuíno de nós. Pensando bem, lembrar disso acabou se tornando engraçado. Melhor esquecer, não sei se é tão genuíno assim!
Bom a verdade é que sinto saudade de tudo que já fui. Na verdade ainda sou. Só que fica no compartimento da memória...

quinta-feira, 19 de março de 2009

Quintana 2


Fiquei tão empolgada ao ler de novo a 'autobiografiazinha' de Quintana que achei que ela merecia um post só pra ela. Mas ainda estou com a alma 'contaminada' por ele. Então, vai aí mais algumas coisinhas.

"No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento..."

"Não me ajeito com os padres, os críticos e os canudinhos de refresco: não há nada que substitua o sabor da comunicação direta."

"Se eu amo o meu semelhante? Sim. Mas onde encontrar o meu semelhante?"

"Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me bem devagarinho."

"Sempre me senti isolado nessas reuniões sociais: o excesso de gente impede de ver as pessoas..."

"Só se deve beber por gosto: beber por desgosto é uma cretinice."

"INSCRIÇÃO PARA UM PORTÃO DE CEMITÉRIO
Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce - uma estrela,
Quando se morre - uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
"Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!"

"Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado."

"Poema
Mas por que datar um poema? Os poetas que põem datas nos seus poemas me lembram essas galinhas que carimbam os ovos..."

"Quando duas pessoas fazem amor
Não estão apenas fazendo amor
Estão dando corda ao relógio do mundo".

Quintana


Quintana é o poeta de toda a minha vida. Desde a infância com a sua rua cheia de cataventos. A sua poesia pra mim tem uma mensagem muito clara: viva feliz e não complique tanto as coisas. Alguns dizem que a sua poesia era simples. Quintana não ligava a mínima. Dizia o que tinha que ser dito. Queria que a sua poesia chegasse a todos, como um dia de sol ou de chuva. Estava navegando por aí e encontrei muitas palavras de Quintana. Ele tinha muito senso de humor e era deslumbrado com a natureza, com a vida. Escolhi algumas coisas ditas por ele pra por aqui. A primeira delas já enviei a alguns amigos em tempos atrás, por ter achado genial. É um Quintana falando dele mesmo, com seu humor e franqueza característicos.

"Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.
Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não astava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu... Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?
Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Érico Veríssimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras."

sexta-feira, 6 de março de 2009

Não só no futuro

Mudar é preciso. Como o navegar do samba. Às vezes, a mudança parece algo que se está sempre esperando. Quando falamos em mudança – em todos os sentidos – ela está sempre no futuro. Esquecemo-nos que as mudanças acontecem todo o tempo, agora mesmo quando estou escrevendo tudo ao meu redor e dentro de mim está mudando. O olho humano não pode ver as células se degenerando e nem outras se formando. Mas sabe que isso acontece. O cabelo cai, mas nascem novos fios. A ferida abre, mas também fecha. Já dizia a música "tudo muda o tempo todo no mundo"... Mas faz diferença quando você decide mudar com o mundo.
Cansei de acreditar que a mudança era sempre algo a se esperar. Abri meus olhos de vez e resolvi me abraçar nela. Toda a transformação tem seu tempo, sua hora, ou seja, as condições (subjetivas e objetivas) para que ela aconteça. Mas, às vezes, precisamos decidir quando mudar. Eu decidi.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

João Pedro


Ele sorri. E é tão doce. Doce, daqueles açucarados que a gente fica sentindo por horas na boca. Ele vê tudo com seus olhos grandes e castanhos. Quando ele olha parece que vê todos por dentro. Eu sei que vê. Criança sempre vê tudo. Me sinto feliz por dentro. Ele gosta de tudo e de todos como eles são ou como seu coração vê. Me sinto feliz de novo. Criança não erra. Ele faz eu me sentir um ser melhor. Quando ele chora, ao contrário do que ele pudesse esperar se entendesse, me encho de alegria. Porque ele está ali. Chorão. Com lagriminhas nos olhos. Mas está ali. Ocupando todo o espaço. Preenchendo as lacunas de todos nós e todo o lugar vago no meu coração.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Não dá pra descer do bonde chamado Mundo...

Oi pessoas!!! Saudade de estar aqui. Estava descansando um pouquinho. Vou descansar o resto que falta no mês de fevereiro. Por enquanto, estou de volta, na ativa. Pensei em tantas coisas pra escrever, aconteceram tantas coisas no mundo enquanto eu estava em slow motion (é assim que se escreve???). Sim, o mundo segue girando, mesmo quando a gente quer descer. Mas não pude descer, ninguém pode. Viver neste mundo é isso mesmo. Não dá pra ficar alheio. Então, li muito jornal e revistas, vi muita TV (coisa rara!), até rádio ouvi!
Bom, estou voltando a este espaço. Desejo ter mais tempo para escrever aqui.
Ah, obrigado aos que estão me mandando mensagens falando sobre o blog, me incentivando a escrever mais. Muchas gracias!